The Walking Dead seguramente é uma das mais importantes propriedades intelectuais na história da cultura pop. Independentemente de nossa opinião é inegável que o universo criado por Robert Kirkman é um fenômeno que será lembrado para sempre por ter massificado o conceito do zumbi como instrumento crítico com cunho dramático, outrora em pauta através das obras de George A. Romero.

Porém, mesmo com tal relevância a série de TV vem se tornando medíocre em termos narrativos, fato evidenciado especialmente pelas inconsistências de roteiro, arcos desnecessariamente esticados, soluções simplistas na forma de contar a história que beiram o cômico, entre outros aspectos. Potencialmente, The Walking Dead tem tudo para ser a melhor série de todos os tempos, pois o material original é ótimo e nos brinda com uma ótica até então inédita de como seria o apocalipse zumbi.

O zumbi é um instrumento catártico do ser humano para conhecer seu verdadeiro eu.

E tal inconsistência citada acima é vista na segunda parte da 7ª Temporada. Como já falamos sobre os primeiros oito episódios em nossa Crítica da 1ª Parte, vamos focar especialmente do episódio 9 (S07E09 – “Rock in the Road”) até o episódio 16 (S07E16 – “The First Day of the Rest of Your Life”).

A primeira parte da temporada foi marcada pela submissão de Rick diante de Negan, fato que foi mudando de tom gradativamente e que culminaria, inevitavelmente, em um confronto contra o carismático antagonista. O grande defeito da 7ª temporada não foi o ritmo lento, mas sim os constantes problemas de roteiro que atrapalharam muito em termos narrativos. Sabíamos, segundo palavras da própria equipe, que esse momento de transição entre a preparação e a guerra seria mais lento, porém, o ritmo não foi o principal problema.

Alguns episódios tiveram pequenas valias pontuais, mas que não se sobressaíram em relação aos erros crassos que vimos. A comunidade do Lixão, por exemplo, foi uma muleta de roteiro que se mostrou apenas conveniente diante da necessidade do enredo. Outros argumentos foram interessantes, tal qual Rick e Michonne saírem para buscar suprimentos, mas em contrapartida a direção do episódio e as fáceis soluções do enredo tornaram o episódio 12 (S07E12 – “Say Yes”) intragável e ingênuo.

Oceanside também foi um desserviço para a história porque mais uma vez serviu apenas como alavanca para Alexandria conseguir seu arsenal de forma absurdamente fácil, pois naquele momento era necessário para o andamento da história. Richard também foi uma oportunidade perdida de inserir um personagem interessante no o elenco principal, com sua dualidade e carga dramática. O Reino foi pouco explorado, assim como Carol e Morgan, que mantém um looping narrativo cansativo, pois já estamos acompanhando tais dramas há muito tempo sem uma resolução inteligente.

Outro aspecto muito destacado foi o maniqueísmo dos Salvadores, totalmente diferente dos quadrinhos. Os vilões comandados por Negan têm como base atitudes muito cartunescas, não havendo uma dicotomia necessária para um construto menos estereotipado. Para não dizer que tudo foi ruim, Jeffrey Dean Morgan (Negan), Austin Amelio (Dwight) e Josh McDermitt (Eugene) interpretaram excelentes desenvolvimentos, com uma boa constância e coerência dentro de seus arcos.

Dwight teve suas intenções melhores explicadas na série para que possamos comprar seus conflitos e Eugene foi um dos poucos personagens condizentes, pois aceitou um posto de liderança no Santuário visando sobreviver. Não houve a romantização do conceito de amizade por parte dele, até porque nem todos os personagens precisam ter tons de cinza.

A season finale foi interessante, com uma boa trilha sonora, que é sempre magistral em The Walking Dead, boa fotografia e com um bom ritmo. A morte da Sasha não tem tanto peso, dada sua participação de coadjuvante durante a série e perde ainda mais força se lembrarmos como ela chegou nesse ponto; um plano pífio elaborado por Rosita para matar Negan. Rosita foi outra personagem que mudou de tom muito drasticamente, beirando a infantilidade em muitos momentos e comprometendo seus amigos devido à falta de senso de comunidade.

Entre erros e acertos, o sétimo ano de The Walking Dead foi medíocre, tendo oito episódios interessantes no início, mas que caíram vertiginosamente de qualidade na segunda parte. Os protagonistas não tiveram novas camadas de desenvolvimento, tirando Padre Gabriel, Maggie e o trio citado acima. A história perdeu urgência devido a um roteiro preguiçoso e simplista. Em suma, foi uma temporada ruim com bons momentos.

Lembram do cervo em GCI? Inadmissível.

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