Sam Witwer, o zumbi do tanque

Originalmente The Walking Dead é uma história em quadrinhos criada por Robert Kirkman, que vem sendo publicada desde 2003 pela editora Image nos EUA e atualmente pela Panini no Brasil.

Mas o sucesso de The Walking Dead veio mesmo com a adaptação para a TV, em 2010, na emissora norte-americana AMC. Frank Darabont foi o idealizador da série e também o showrunner de toda a 1ª temporada.

A aposta de Darabont foi bem sucedida e The Walking Dead se tornou imediatamente um fenômeno, mesmo com uma uma primeira temporada tão curta, com apenas seis episódios.

Contudo, devido a brigas internas, a AMC afastou Darabont de The Walking Dead antes da 2ª temporada. Até hoje muitos afirmam que sua saída prejudicou a qualidade da série, além de não ter sido mais possível levar adiante as ideias originais que ele tinha em mente.

Em entrevista de 2012, Sam Witwer, o ator que fez o soldado zumbi que Rick matou no tanque do primeiro episódio, conta como seria o início da 2ª temporada caso Darabont ainda estivesse no comando.

Segundo Witwer, a ideia era contar em formato de flashback como Atlanta foi invadida por zumbis, na perspectiva deste soldado. Confira a entrevista (em inglês sem legendas):

Relembre como foi esta cena do Rick e o soldado zumbi:

“A ideia era pegar aquele zumbi do tanque e contar sua história”

site AICN procurou Darabont para que este pudesse explicar exatamente como seria esse flashback.

A resposta é um longo e-mail que detalha como seria a trama do primeiro episódio da 2ª temporada de The Walking Dead, caso o ex-produtor tivesse continuado no comando da série:

Eu queria ter começado a segunda temporada com o episódio de flashback descrito pelo Sam [Witwer], que teria acompanhado um esquadrão de Rangers do Exército que acaba preso na cidade, tentando sobreviver, conforme Atlanta é tomada pelos zumbis.

A ideia era fazer um documentário bem focado, como se você estivesse passando por aquela situação com aquelas pessoas. Não usaríamos o método de ‘câmera na mão’, mas faríamos tudo ficar um pouco mais bruto que o resto da série.

Começaríamos com um esquadrão de sete ou oito soldados sendo deixados na cidade por um helicóptero. Eles teriam coordenadas e um mapa para chegar ao local pré-determinado, onde serviriam de reforço para outro grupo já presente. Não era uma missão especial, era basicamente uma medida cautelar que colocaria mais soldados em locais chave ao longo da cidade. Tudo o que eles teriam que fazer é andar por volta de 12 quarteirões.

Mas o que começa como uma tarefa simples passa de ‘a cidade tem de ser protegida’ para ‘puta merda, perdemos controle, o mundo vai acabar’. A cada curva, o esquadrão depara com obstáculos e, não muito tempo depois, começa a apenas tentar se manter vivo. Eu queria fazer uma história bem intensa e focada nos personagens, não na situação.

Ao longo do caminho, eu pensei em rapidamente ligar essa história com alguns dos personagens já estabelecidos na série. Não faria nada que ficasse forçado demais, já que isso poderia tornar tudo bem bobo. Mas eu pensei que seria ótimo desviar um pouco da narrativa da série e contar essa história sobre os soldados.

Imagine o esquadrão chegando em uma barreira que impedia a saída dessas pessoas da cidade para que o contágio não acontecesse mais rápido. Seria uma cena intensa e cheia de pânico. E então, na multidão você veria Andrea e Amy. Os soldados da barreira entram em pânico, a multidão é atacada por tiros de metralhadora e essas duas garotas são resgatadas por um senhor de idade que elas nem conhecem, Dale. Ele não é ninguém pra elas, apenas um cara que deparou com a oportunidade de fazer a coisa certa e reagiu de acordo com o momento.

Isso seria apenas um ou dois minutos do episódio, apenas um desvio interessante, mas teríamos presenciado o momento no qual Dale encontra Andrea e Amy, mostrando como a relação deles começou. Também senti que seria uma ótima oportunidade de trazer Emma Bell [atriz que viveu Amy] de volta para a série, nem que por um breve momento, já que ela havia sido incrível. (Claro que essa ideia com os personagens já estabelecidos poderia não funcionar. Nós vamos tentamos muitas coisas conforme o programa se desenvolve, mas achei que tudo isso daria muito certo.)

Então a história segue esse grupo de soldados conforme a cidade desaba, com o personagem de Sam sendo o principal. Ele acaba sendo o último sobrevivente do esquadrão, finalmente chegando ao local que eles estavam tentando chegar desde o início: a barreira no cruzamento em frente ao tribunal de Atlanta, onde Rick encontra o tanque.

O soldado ainda está vivo ao chegar ali, mas ele foi mordido. Ele então se arrasta para dentro do tanque, procurando apenas abrigo para sair das ruas infestadas. Conforme a febre dele vai aumentando, ele começa a ter alucinações, pega sua última granada e considera se matar. Ele põe a granada em cima da prateleira por um momento para refletir em toda a dor e sofrimento que o levaram a esse terrível fim de vida, tomando coragem para puxar o pino. Mas, antes que ele possa fazer qualquer coisa, a febre toma conta e ele morre.

Agora retorne na imagem de capa desta matéria e perceba que realmente há uma granada ao lado do soldado zumbi.

A reviravolta entra nos momentos finais desse episódio:

Depois do soldado sofrer essa morte miserável e solitária, após uma silenciosa passagem de tempo, fazemos uma reprise cena-a-cena do episódio-piloto, com Rick entrando do tanque e atirando na cabeça do soldado-zumbi. Agora Rick está preso… a câmera escurece…. e temos o fim.

A ideia era pegar aquele zumbi do tanque e contar sua história. Fazê-lo a estrela de seu próprio filme, seguir sua jornada, mas não revelar quem ele era até o fim. Isso serviria pra mostrar que todo zumbi tem a sua história, todo figurante morto-vivo foi um ser humano.

E nós teríamos acompanhado a vida desse cara em particular, visto como a vida dele teria terminado. Foi por isso que eu contratei Sam para o soldado-zumbi do tanque ao invés de ter dado o papel para um extra qualquer. Eu tinha essa história em mente quando gravamos o piloto, e eu sabia que precisaria de um ótimo ator para dar continuidade àquela trama.

Aí, quando chegássemos no segundo episódio da segunda temporada, já estaríamos de volta com Rick e o grupo, continuando a história terminada na primeira temporada.

Por fim, Darabont também comenta um pouco sobre como gostaria de introduzir cada temporada nova de The Walking Dead:

Sempre tive em mente a ideia de um episódio diferente para cada temporada, como início ou final daquele ano. Uma história separada, completamente diferente daquela que vínhamos acompanhando mas que, no final, se provaria ligada com a trama central. Lost fez isso algumas vezes e eu adorei. Sempre me pareceu uma escolha ousada que recompensava a audiência fiel.

É isso para mim. Espero que esteja tudo bem por aí.

Lembranças, Frank.

Com a saída de Darabont, a 2ª temporada de The Walking Dead ficou no comando de Glen Mazzara, até ser substituído por Scott Gimple na 4ª temporada, seguido de Angela Kang a partir da 9ª temporada.

Leia mais:

O que você achou da ideia de Frank Darabont de mostrar a história do zumbi no tanque no episódio de estreia da 2ª temporada de The Walking Dead? Acha que a série estaria melhor no comando dele?

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