No decorrer desta semana, após os dois últimos episódios de Fear The Walking Dead (S04E09 e S04E10) e acompanhando os comentários em nosso site de vocês, caros leitores, me ocorreu que muitas vezes o puro e simples fato de um episódio das nossas séries favoritas serem “parados” acabam por ser diretamente associados ou julgados como “chatos”, “desinteressantes” ou em que “não prestaram para nada”. E por esse motivo achei válido escrever este artigo.

Vou usar como exemplo alguns episódios de Fear The Walking Dead, mas essa análise é valida para qualquer outra série ou até mesmo um filme. O episódio 10 da 4ª temporada (S04E10 – “Close Your Eyes”) foi exibido na segunda-feira passada e foi categoricamente um episódio parado.

Mas será que por conta do ritmo em que a trama foi narrada isso acaba por sepultar qualquer característica positiva dele? Eu entendo que não, pois o episódio em questão teve todo seu enredo amarrado em apenas um núcleo (Alicia e Charlie) e em um único cenário (a casa durante a tempestade), mas o seu conteúdo, densidade e avanço narrativo da trama tiveram um progresso considerável.

Depois de todos os acontecimentos que ocorreram na primeira metade de Fear The Walking Dead envolvendo Alicia e Charlie, esse episódio era necessário e deveria ser mostrado inevitavelmente uma hora ou outra (e acertam em cheio em ser logo no recomeço da temporada).

Questões pesadas e complexas do íntimo dessas personagens foram exploradas, muita coisa foi colocada pra fora e tudo foi entrando no seu devido lugar. Resultado final: Alicia voltou à trama e despertou, depois de estar com sua mente completamente abalada e sem a menor vontade de seguir em frente. Agora está pronta para recomeçar.

E também Charlie, que não falava mais e buscava causar sua própria morte por meio de suicídio acidental, agora se comunica e aceita as coisas que fez, entendendo que terá que viver com seus fantasmas e seguir em frente, ao lado de Alicia, inclusive.

Então meus caros, antes de julgarmos um episódio apenas por ele ser parado ou não ter um ritmo narrativo que lhe agrade (sim, eu sei que alguns episódios realmente lentos, e quando são mal escritos não têm defesa), observe bem o que ele trouxe à trama de forma mais ampla e detalhada.

Quando um episódio “parado” é bem escrito, seu poder de desenvolvimento pode ser extremamente mais profundo e acelerado que um episódio considerado mais “agitado”. E em algumas vezes nos trazem episódios encantadores, poderosos e memoráveis como o 5º episódio da 4ª temporada de Fear The Walking Dead (S04E05 – Laura), que talvez seja um dos melhores episódios já produzidos no universo The Walking Dead.

Então fica o apelo desse redator: tirem seus preconceitos de episódios em que a narrativa é mais lenta. Mergulhem na experiência proporcionada, analisem os fatos expostos, reflitam após o termino do episódio absorvendo, o seu máximo. E só depois julguem o resultado final.

E que o resultado desse julgamento seja dado pelo conteúdo exposto, e não pelo ritmo com que a história foi contada.

Um Gaúcho apaixonado por cinema e séries. Acompanho The Walking Dead desde 2011. Atualmente vejo em FEAR um potencial muito maior do que na série original. John Dorie é o melhor personagem já criado no universo TWD.
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