A primeira edição de 2018 de The Walking Dead apresentou um novo arco, com uma nova comunidade, com o impressionante número de quase 50 mil habitantes.

Essa edição nos mostrou um potencial poucas vezes visto nos quadrinhos, em termos de [re]construção de mundo. Embora ela seja apenas o começo de uma longa série de explicações sobre o que vem por aí, acredito que já devamos conseguir supor algumas coisas pelo pouco que foi dito.

A começar pelo nome: Commonwealth. Na vida real, o termo designa uma associação intergovernamental que é integrada, em sua maioria, por países cujos territórios faziam parte do antigo Império Britânico (saiba mais). O líder dessa associação é a rainha da Inglaterra, que também é aceita como a monarca de 16 dos 53 países que a compõem.

O que isso pode nos dizer sobre o que está acontecendo nos quadrinhos? O nome não deve ser um mero capricho, mas sim algo pra designar uma aliança de comunidades, com muitos passos acima da aliança das comunidades de Washington. A Commonwealth real têm algumas metas conjuntas a alcançar no que diz respeito a indicadores econômicos e sociais, e acredito que sua contraparte na HQ também tenha algo desse tipo em seus planos.

A Nova Ordem Mundial

Talvez essa aliança de comunidades (que juntas contam por volta de 50 mil pessoas, segundo Lance, o orgulhoso burocrata que encontrou os emissários do Rick) esteja em franco processo de expansão ou, como termo melhor, reconquista (aí que o nome do arco NOVA ORDEM MUNDIAL entra e se encaixa perfeitamente).

A alta burocracia e serviços como guarda padronizada mostram o elevado grau de desenvolvimento desse conglomerado de comunidade (algo que já se fez presente em algum momento da história das comunidades que conhecemos, como o pedido do Douglas para que Rick e Michonne fossem policiais dentro dos muros de Alexandria, logo que chegaram, e o interrogatório a que Magna e seu grupo são expostos para se juntarem a Alexandria).

A parte em que o eles chegam ao estádio e o Lance fala que aquilo é usado para shows e jogos de futebol também nos dá outra pista sobre a magnitude do que eles alcançaram. Umas proto-ligas de futebol americano e pessoas com tempo o suficiente para se dedicarem às artes demonstram a densa população, algo nunca antes visto em nenhum momento da história.

Isso também mostra bem as fronteiras da Commonwealth, que provavelmente não tem mais muros, que nos primeiros dias de AZ protegiam as comunidades. O que nos leva ao penúltimo tópico desta análise.

A organização militar

Totalmente equipados e, mais do que isso, padronizados. E com alto conhecimento das hordas que circundam a Commonwealth. A “horda magenta” identificada pelas tropas de escolta nos dá a noção de que eles monitoram e, quando necessário, as remanejam. Com técnica parecida com a desenvolvida pelo Eugene? Possivelmente, mas ainda não sabemos.

Mas o que sabemos é que, para ter todo esse conhecimento, são necessários equipamentos de comunicação e rastreio que não são de fácil acesso após mais ou menos 6 anos de surto de desmortos. Isso nos deixa no caminho das especulações sobre a base principal da Commonwealth, onde provavelmente está instalado o conselho (mencionado por Lance) das comunidades que formam o conglomerado, e sua natureza pré-AZ.

Choque de civilizações

Por último, o que esperar do contato entre dois sistemas equivalentes mas a anos-luz de distância no que diz respeito a realizações? Como já venho especulando desde a divulgação da capa dessa edição, alguns palpites dependem de situações que nos serão reveladas mais a frente:

1- Se essa Commonwealth realmente for um braço do que restou do governo, como Rick reagiria sabendo que eles se enclausuraram em algum lugar enquanto os civis se matavam a torto e a direito? Nada me vem a mente a não ser uma guerra civil (ou o equivalente disso num mundo onde fronteiras territoriais internacionais não importam mais) pelo direito de se autogovernarem.

2- Se essa Commonwealth se considerar o próximo governo americano e quiser reconquistar e absorver todos os sobreviventes do país (o que é bem pior que a primeira alternativa), qual seria a reação das outras comunidades? Duas fortes opções:

2.1- Guerra civil;

2.2- O Rick aceita o projeto megalomaníaco e se põe como representante das comunidades da Costa Leste, e as mortes sangrentas podem dar lugar a politicagem que, pelo menos pra mim, seria muito bem-vinda ao contexto da HQ e até faria sentido dentro de uma progressão lógica, além de estar demorando muito a aparecer plenamente (tivemos algo parecido antes da guerra contra os Sussurradores e algo bem mais forte com a tensão Dwight-Rick pós-Guerra dos Sussurradores).

3- Se a Commonwealth for apenas um estágio mais desenvolvido de aliança entre comunidades e mostrarem vivo interesse em ajudar a aliança de Washington a crescer com um comércio e trânsito de pessoas.

Nesse último caso eu imagino uma amálgama de tudo o que supus nas situações anteriores. Uma politicagem sobre a liderança de uma nova Commonwealth, agora na Costa Leste, se alinhando com o projeto expansionista de Ohio, que faria com que o processo de reconstrução da humanidade começasse a dar passos mais largos do que tudo até agora já feito.

O futuro de The Walking Dead

Quem estiver acompanhando os quadrinhos talvez esteja pensando o mesmo que eu, e talvez também evite verbalizar essa ideia por medo de se tornar real: The Walking Dead está chegando ao fim e esse salto tecnológico-organizacional trazido pela Commonwealth é o maior sinal de que essa obra-prima se aproxima de seu epílogo.

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Esse novo arco certamente renderá muitas especulações e muito mais hype e teorias sobre o que vem por aí. Quais são seus palpites?

Vou longe pensando nas implicações de catástrofes globais na psiquê do ser humano. Talvez seja por isso que eu adore os quadrinhos de The Walking Dead.
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